Genômica 101 (Câncer)
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A Genômica estuda o projeto completo do DNA das células: variantes de sequência, alterações no número de cópias e rearranjos estruturais. Na oncologia, ela impulsiona o diagnóstico, a terapia direcionada e o monitoramento da resistência.
O Fluxo de Dados Genômicos (Pipelines)
Na bioinformática oncológica, a biologia se transforma em strings e matrizes através de um pipeline padronizado:
- Sequenciamento Bruto (
.fastq): O sequenciador (ex: Illumina) cospe milhões de pequenas "leituras" (reads) de DNA, compostas pelas letras A, C, T, G e uma pontuação de qualidade para cada letra (PHRED score). - Alinhamento (
.bamou.sam): Um software (como BWA-MEM) pega essas leituras curtas e tenta encaixá-las no Genoma de Referência Humano (GRCh38). O arquivo BAM é essencialmente uma planilha massiva dizendo onde cada leitura se alinhou no cromossomo e com qual margem de erro. - Chamada de Variantes (
.vcfou.maf): Softwares como GATK Mutect2 ou Strelka comparam o BAM do tumor do paciente com o BAM do sangue normal do paciente (Tumor-Normal Paired). Eles geram um VCF contendo apenas as "mutações" encontradas no tumor. O MAF (Mutation Annotation Format) é uma versão tabular do VCF, mais fácil para cientistas de dados manipularem em R ou Python.
Métricas Chave para Engenheiros de Dados
- Profundidade de Cobertura (Coverage): Quantas vezes uma mesma região do DNA foi lida. Uma cobertura de 30x é padrão para sangue, mas tumores precisam de 500x a 1000x de cobertura porque o tecido tumoral é uma mistura de células normais e cancerígenas.
- Fração Alélica Variante (VAF): Se uma mutação tem VAF de 10%, significa que de 100 leituras (reads) naquela exata posição do genoma, 10 continham a mutação e 90 estavam normais.
Biomarcadores Genômicos Complexos (Assinaturas)
Além de procurar por uma mutação específica (ex: BRAF V600E), a genômica computacional moderna calcula assinaturas pan-tumorais:
- TMB (Tumor Mutational Burden): Uma contagem total de quantas mutações existem por megabase de DNA no tumor. Tumores com TMB "Alto" (ex: > 10 mut/Mb) têm tantas proteínas alteradas que o sistema imune consegue percebê-las, tornando o paciente um ótimo candidato para Imunoterapia.
- HRD (Homologous Recombination Deficiency): Em vez de procurar mutações pontuais, mede "cicatrizes" no genoma inteiro (grandes pedaços de cromossomos deletados ou duplicados). Um HRD alto indica que o tumor perdeu a capacidade de consertar quebras duplas de DNA, sendo vulnerável a Inibidores de PARP (Letalidade Sintética).
Modos de Ensaio Comuns
| Modo | Escopo Computacional | Uso Clínico Típico |
|---|---|---|
| Targeted panel | Avalia de 50 a 500 genes. Gera arquivos BAM pequenos (gigabytes). | Padrão ouro na clínica hoje (ex: FoundationOne CDx). Foco em genes acionáveis com drogas aprovadas. |
| Whole-exome (WES) | Sequencia os ~20.000 genes codificadores de proteína (2% do genoma). Requer ~20-50GB por paciente. | Usado em pesquisa e para cálculo preciso de TMB. |
| Whole-genome (WGS) | Sequencia todos os 3 bilhões de pares de base. Requer >100GB por paciente. | Encontra variantes estruturais grandes, drivers não-codificantes e fusões que painéis perdem. |
| ctDNA (Liquid Biopsy) | Sequenciamento ultra-profundo do DNA tumoral que flutua no sangue. | Monitoramento de resistência a drogas e doença residual mínima sem biópsia física. |
Dos arquivos para interpretação
Combine esta visão geral com o guia de fluxo de trabalho Do FASTQ às variantes e padrões de acesso de dados em Data & APIs.